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sexta-feira, 19 de julho de 2013

# para refletir


Vivemos numa época em que o audiovisual é a expressão predominante. Nas artes, na mídia, na ciência, na forma com que nos comunicamos, o audiovisual está presente em tudo. As salas de cinema vivem lotadas, os canais de televisão e as rádios segmentadas se multiplicam. Os computadores estão espalhados por todos os lugares, todos interligados em rede, mediados pelo audiovisual. O telefone não serve mais apenas para falar, vem com uma série de aplicativos, recursos de imagem e som. Até o livro pode ser lido no computador, transformado em filme ou em um áudiolivro. A mídia se reinventa. É remodelada por fenômenos como a crossmídia, a transmídia...todos baseados no audiovisual. As pessoas estão conectadas e criam suas identidades no universo virtual por meio de imagens.     
A convergência das tecnologias e dos meios de comunicação é responsável pela maior parte dessas transformações e, na sociedade atual, mídia e tecnologia são palavras que não podem mais ser dissociadas do significado de comunicação. Na cultura informático-mediática, em que os significados das nossas relações com o meio são alterados, resultando na criação de novos formatos de comunicação, abandonamos o modelo convencional de comunicação de massa, no qual a informação trafega em sentido único, cabendo ao emissor da mensagem o papel ativo, e passamos a adotar novas configurações, em que o receptor deixa de ser passivo e torna-se um receptor-emissor ativo, na medida em que o meio permite a sua interação durante o processo.
As técnicas, ferramentas e linguagens utilizadas são muitas e o audiovisual tem atraído cada vez mais o público e pessoas que sonham um dia em trabalhar nessa área. Produzir imagens e sons é algo que exige talento, conhecimento e metodologias eficientes. O processo de produção audiovisual, seja para rádio, cinema, televisão, multimeios ou Internet, tem como finalidade principal comunicar com alguém que está do outro lado. Comunicar é um ato inerente ao ser humano. Mas, comunicar audiovisualmente é um ato intencional e, como tal, precisa mais do que competência técnica, acima de tudo, precisa seriedade e responsabilidade. 


terça-feira, 11 de junho de 2013

Linguagem universal


     Na sociedade da informação em que vivemos hoje, há uma cultura informático-mediática que altera os significados das nossas relações com os meios e o resultado disso é a criação de novos formatos de comunicação. A convergência das tecnologias e dos meios de comunicação é responsável pela maior parte dessas transformações. Em toda a cadeia produtiva da comunicação, o uso da tecnologia torna-se imprescindível para a sua operação, desde a sua concepção até a transmissão e a recepção de dados. 
A nova infra-estrutura de comunicações criada pela digitalização baseia-se na expansão das tecnologias de informação, que propiciam a convergência entre telecomunicações, mídia e informática, multiplicando a capacidade de transmissão de conteúdos. Os sinais de áudio, vídeo e dados, que antes eram tratados e processados independentemente, passaram, com a digitalização, a integrar um mesmo sistema de dados com capacidade infinitamente maior de difusão, sem perda de qualidade. A comunicação digital permitiu a conversão de sons, imagens e textos em formatos legíveis por computador, possibilitando a integração on line cada vez maior entre os meios. Além disso, na comunicação digital, um único meio de comunicação pode ser transformado em vários canais simultaneamente, passando a ser um “canal inteligente”.
O cerne das mutações comunicacionais é a convergência entre as tecnologias digitais, os recursos multimídia e a realidade virtual. O espaço cibernético, disposto pelas comunicações interativas, cria um ambiente para o desenvolvimento de uma inteligência coletiva. A principal função dessa inteligência, segundo Lévy, seria “a criação de uma sinergia entre competências, recursos e projetos, a constituição e manutenção dinâmica de memórias comuns, a ativação de modos de cooperação ágeis e transversais, a distribuição coordenada dos centros de decisão”.
Baseado nisso, podemos dizer que o que estamos testemunhando no campo da comunicação contemporânea é a dissolução de fronteiras entre os setores. Essa convergência tecnológica possibilita uma interatividade entre todos os meios, provocando, assim, a grande transformação na maneira como se cria, produz e transmite comunicação.
À medida que essa configuração se cristaliza, cresce a diversidade de ofertas de meios, enquanto os recursos interativos remodelam a relação entre a mídia e o público. Nesse contexto, alteram-se a natureza dos meios e a forma das mensagens, que passam a simular a realidade em diferentes dimensões para ganhar a atenção do consumidor e persuadi-lo. Este, por sua vez, deixou de ser simplesmente um receptor passivo para tornar-se um receptor-emissor ativo, capaz de interferir no processo de comunicação, alterando as relações de poder previamente estabelecidas. Essa é outra implicação da convergência das tecnologias e da mídia.
Um novo capítulo da história da comunicação e dos homens, no qual as novas tecnologias são protagonistas, afetando diretamente nossas vidas e a forma como nos comunicamos está sendo escrito. Nesse contexto, não seria descabido dizer que o audiovisual tornou-se uma linguagem universal. Afinal, a performance de todas essas novas mídias e tecnologias incorpora o audiovisual como base.



Marcia Nogueira é formada em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pela UFPR. É especialista em Marketing, pela UNIFOR e faz parte da primeira turma de Educomunicação da FAE. É escritora de livros acadêmicos e infantis. Roteirista. Produtora transmídia. Consultora de criação, produção e implantação de projetos EAD, Universidades Corporativas e Sistemas de Ensino. Empresária.   

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O olhar


Fotografar é, em primeiro lugar, olhar.
Claro que ter uma máquina boa, com muitos pixels e uma lente zoom de meio metro, faz diferença no resultado, mas a câmera sozinha, não tira uma boa fotografia. Quantas vezes você já viu uma pessoa aparecer na foto com um árvore crescendo na cabeça ou um poste. Então, olhe bem, um segundo a mais do que o normal pode fazer a diferença e você já conseguirá fazer uma foto bem melhor.
Para isso, vou dar algumas dicas:
- no momento de fotografar, mude de ângulo várias vezes até encontrar a posição ideal, que valorize o seu foco principal.
- dobre os joelhos. Isso é muito importante quando estiver fotogrando crianças ou seu bicho de estimação, por exemplo.  
- aproxime-se do objeto em vez de ficar longe com um zoom poderoso.
- observe cuidadosamente o fundo. Se possível, escolha um fundo não muito colorido e também não muito claro. E que não esteja poluído, com muitas pessoas ou objetos, porque isso tudo tira a atenção do assunto principal. Deixe estas opções para determinadas situações, quando quiser traduzir uma linguagem específica, como no caso da publicidade e propaganda.
- o objeto, a pessoa ou as pessoas não precisam necessariamente estar no meio da foto. Um pouco mais para a esquerda ou a direita pode transformar a percepção do todo.
- pense no horário do dia que vai fazer a foto e observe a direção do sol. A iluminação faz toda a diferença na fotografia. Até as 10 horas de manhã a luz tem a intensidade ideal. Depois se transforma,  ficando forte e muito clara, com sombras fortes. Só por volta das 16h é que volta a recuperar a intensidade adequada. A luz do amanhecer ou do pôr do sol deixa a foto com tons dourados. A direção do sol é importante porque interfere na intenção da foto. Luz frontal, o sol atrás de quem está fotografando, é para obter fotos brilhantes e nítidas; já a iluminação por trás cria o efeito de silhueta; a iluminação lateral, destacando um dos lados do objeto ou pessoa serve para mostrar a textura do tema.
   Tudo isso ainda varia conforme o lugar do mundo ou época do ano, mas só tem um jeito de descobrir. É praticar muito. A fotografia, como qualquer outra arte requer conhecimento, técnica e dedicação. E posso garantir que este esforço vale a pena.

Até a próxima.

Leonardi Vermeulen é holandês e se estabeleceu no Brasil há pouco mais de 10 anos. Faz fotos para publicidade e banco de imagens para diversas empresas e instituições.  Seu portfolio apresenta um acervo riquíssimo de muitos lugares do mundo, destacando paisagens e aspectos culturais de diferentes civilizações.  




terça-feira, 28 de maio de 2013

Forma X Função no filme publicitário ­­­


   Vamos nos apropriar dessa questão primordial da arquitetura para lançar um breve olhar sobre a produção publicitária para TV e mídias conexas. Como na arquitetura, onde a forma, a questão estética não deveria se sobrepor de tal maneira à função esperada do projeto, o criador e o realizador das peças publicitárias também deve ter em conta a expectativa de um agente de suma importância ao processo: o cliente e suas necessidades.
   Afinal, não podemos perder de vista uma questão: é esse sujeito quem paga as contas, quem compromete verbas, muitas vezes vultosas, e tem a expectativa de um retorno. Uma campanha publicitária é, antes de mais nada, um investimento comercial, que deve necessariamente gerar o retorno financeiro que dele se espera.
   Certa feita, lidando com uma turma de futuros publicitários, tinha que frequentemente resistir à ansiedade dos alunos que queriam, a todo custo, partir para a prática, criando e executando peças audiovisuais de uma campanha. Acabei concordando em parte. Dividida a classe em algumas turmas, eles propuseram seus virtuais clientes. Refrigerantes, Calças jeans, motocicletas e telefones celulares. Todos os produtos sugeridos por eles eram intimamente ligados ao estilo de vida de um grupo socioeconômico e etário, no qual eles mesmos se incluíam.
   Propus, então, que o exercício fosse mais longe. Distribuí entre os grupos produtos que eu mesmo havia elegido: adesivo para dentaduras, medicamento para cólicas menstruais (para um grupo exclusivamente de meninos, é claro...) fraldão geriátrico e por aí vai.  A turma em unanimidade preferiu abrir mão da atividade e voltamos à programação original das aulas, com teoria do cinema no primeiro semestre e prática no segundo.
   O episódio me trouxe algumas reflexões: como os futuros publicitários colocavam a estética, ou seja a forma, em plano tão mais importante que a função primordial de uma peça publicitária: propagar (propaganda!) as qualidades de um produto, torna-las públicas, publica-las... publicidade.
  A estética com qual os jovens daquela turma se identificavam, exercia uma espécie de “ditadura”  formal que chegaram a impedi-los de realizar um exercício que poderia ter se mostrado de enorme valia em suas futuras carreiras.
   O mais complicado disso tudo, é que esse fenômeno pode ser observado muito comumente nos profissionais que atuam no mercado. Basta assistir a alguns intervalos comerciais para vermos uma espécie de unificação de linguagem, muitas vezes absolutamente inadequadas ao produto anunciado. Resultado de se forçar o uso de uma estética (ou forma), que é confortável ao criador/realizador, e por isso pode lhes parecer adequado a praticamente qualquer situação. Perderam de vista dessa maneira, o objetivo (a função) daquela peça.
  Antes que me ofendam em público, é claro que considero a questão estética, a forma importantíssima, numa peça publicitária. São esses filmes e anúncios que, mais do que grandes ganhadores de prêmios, tornam-se inesquecíveis para o público, perpetuando seus efeitos sobre o produto anunciado, muito além do período de veiculação. Essa é a combinação ideal a ser perseguida por qualquer publicitário, por qualquer arquiteto ou profissional que lida com profissões que necessariamente devem conciliar a eficiência com a beleza. A forma com a função.

   Para encerrar, um filme publicitário que assisti há algum tempo. O produto, justamente fraldas geriátricas. O filme, de uma simplicidade perfeita: um casal de terceira idade, dançava num baile por 30 segundos. Os dois mostravam um semblante feliz, sereno e despreocupado. Não havia locução. Apenas um packshot do produto em insert no final. Não precisava de mais nada. Desculpem, não lembro o ano, e nem conheço a ficha técnica. Só que era um comercial da Jonhson & Jonhson.


Légis Schwartsburd é formado em cinema pela FAAP-SP e tem especialização em direção de atores pela Escola Internacional de Cinema e Televisão, em San Antonio de los Baños-Cuba. É diretor de cena e professor de produção publicitária em Cine-Tv.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A comunicação e o saber-viver


     A comunicação possibilita o viver. A pluralidade das visões de mundo, a impossibilidade de se manifestar uma posição única, verdadeira, explica a criação da própria cultura. A comunicação, escrita ou falada deve, assim, cumprir seu papel primordial: através dela expressar o nosso “eu”, através dela conhecermos o “outro”. Este é o princípio da alteridade. Queremos comunicar, queremos ousar comunicar, queremos que o outro saiba o que está acontecendo conosco. Saber comunicar é saber viver. Eis o contexto contemporâneo do papel social da comunicação. As relações sociais requerem uma comunicação facilitada e ágil. As novas tecnologias, ao mesmo tempo em que criam a necessidade do “estar junto”, propiciam os meios para que estes processos se realizem. Busquemos, pois, manter nossos olhos abertos para as diversidades da individualidade que povoam o universo cibernético. Desenvolvamos nossa autonomia moral e política para o exercício da cidadania entendendo que o respeito pelo outro não exclui a escolha pessoal mas é sua condição primeira.
     As possibilidades para estes novos processos relacionais são múltiplos mas, antes de tudo, precisamos compreendê-las no mundo em que vivemos. A revolução atual pela qual passa a comunicação era prevista já, nas grandes visões de mundo, engendradas no curso da evolução das ideias. Captar este sentido é entender que a comunicação é a experiência fundamental da humanidade.
     O mundo nos é transmitido, nos comunicado e editado através das primeiras formas de socialização. Com alterações aqui e acolá passamos a reproduzi-lo e construímos nossas vidas com os mesmos anseios, temores e receios do devir, típicos da sociedade contemporânea. Nossa imaginação é limitada pelos possíveis cenários que nos rondam: desemprego, família, segurança. Penso que o espaço para uma espetacular renovação dos sentidos sociais esteja no uso das novas tecnologias ao produzir novos espaços de sociabilidade. A solidão da vida privada e de toda a sorte de armadilhas decorrentes deste “nos proteger do mundo” é preenchida pela imaginação e, esta, é a arma que nos resta. A imaginação empodera o indivíduo auxiliando-o a libertar-se da indiferença do público e a se transformar em partícipe nas questões do espaço público.
     As tecnologias da comunicação nos dão esta condição. A imaginação usada nas redes pode ser usada como possibilidade de bem-estar. É tempo de aprendermos a viver no mundo da cibercultura, nos emancipar através dele. Se hoje a comunicação depende da técnica devemos entendê-la, então, como essencialmente humanista na medida em que retira o receptor do papel de ouvinte, passivo e ignorado e o eleva ao protagonismo do seu discurso. Esta visibilidade tornada real no âmbito da tecnologia abre um caminho inexorável para a constituição do sujeito ator-social.
     Perceber o que está acontecendo no mundo e compreender o que está acontecendo conosco nos transformará em artesãos de procedimentos no uso da técnica para o diálogo, cotidiano ou não. E, ao expressarmos nossas ideias não nos preocupemos com as singularidades da escrita verborrágica, em seu lugar adotemos a simplicidade das afirmações claras.



Regina Paulista Fernandes Reinert
Mestre em Sociologia, professora de Antropologia Jurídica e Sociologia da Comunicação no Grupo Educacional Uninter, professora da pós-graduação no curso de Antropologia Social no ICEET e professora da pós-graduação no curso de Educomunicação na FAE.